A noite estava fria, mas eu me despia do cobertor, pois um calor inexplicável me consumia. Um turbilhão de idéias rondavam meu quarto, me perturbando e certas vezes, me assustando também. Eu só queria dormir um pouco. Por alguns segundos, tudo se calou e eu tive uma visão: um anjo, sem dúvidas. Não era a imagem típica que uma criança tem, ele fugia dos padrões de beleza celestial. Acreditava, mesmo assim, que aquilo era um anjo. Não tinha aquela pele rosada muito menos cachos dourados que vendavais não deformam. Seus olhos, que também não eram claros, fitavam os meus. O sorriso... Esse sim era divino! Mas tinha uma malicia por de trás dele e, não sei se era esse o objetivo, mas conseguia me seduzir devagar. Eu não me continha e não me concentrava em outra coisa que não fosse seus olhos. Agora se assemelhavam aos de Capitu: “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada”. Engano meu, não era um anjo. Era apenas alguém que eu desejava com tanta vontade que era capaz de trazê-lo pra perto de mim só com pensamentos. Minha satisfação, só em vê-lo era enorme! E quando eu podia tê-lo... Seu toque era meu conforto e me dava muita segurança. Tanta segurança que eu seria capaz de me arriscar em qualquer coisa, com ele. E de repente, não mais que de repente, a imagem sumiu, se desfez. Acordei um pouco confusa, mas ainda tenho os detalhes em mente. Quem dera pudesse controlar meus sonhos...
Há 5 anos
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